O Pequeno Rato Cinzento: A Fada Detestável (Cap.2) - Parte 3

10 julho 2013

(Primeiro capítulo e outros contos em: "Old French Fairy Tales")

"A perversa Fada Detestável tinha lucrado com a minha ausência e causou sua morte. Ela estava prestes a se dotar com todas as paixões e vícios deste mundo mal, quando meu inesperado retorno feliz paralisou seus esforços. Eu a interrompi no momento em que ela havia sido curiosa o suficiente para que eu pudesse torná-la infeliz e sujeitá-la inteiramente ao seu poder até os seus quinze anos de idade. Pelo meu poder, unidos ao da rainha das fadas, eu contrabalancei essa fatal influência e decidi que você não devia cair sob o poder dela até os quinze anos de idade, a menos que se rendesse três vezes sob as mais graves circunstâncias da sua curiosidade."

"Ao mesmo tempo, a rainha das fadas, para punir a Fada Detestável, transformou-a em rato, calou-a na casa do jardim, e declarou que ela nunca poderia sair de lá a menos que você voluntariamente abrisse a porta. Além disto, ela nunca poderia retomar sua forma original, a menos que você se renda três vezes a sua criminosa curiosidade antes de seus quinze anos. Por último, que se você resistir uma vez a sua fatal paixão, você poderá ser libertada para sempre, assim como eu, do poder da Fada Detestável."

"Com grande dificuldade consegui todos esses favores e só com a promessa de que eu iria partilhar o seu destino e tornar-se, como você, um escravo da Fada Detestável, se fracamente você se permitir render-se três vezes à curiosidade. Prometi solenemente educá-la de tal maneira a ponto de destruir esta terrível paixão, que causam tantas tristezas."
"Por todas essas razões eu confinei você e eu, Rosalie, neste recinto. Não tendo permitido que você veja ninguém, nem mesmo uma doméstica. Procurei te dar com o meu poder tudo o que seu coração desejar e tenho me sentido bastante satisfeito em ter me saído tão bem com você. Em três semanas você teria quinze anos, e para sempre liberta da odiosa Fada Detestável."
"Fiquei assustado quando você pediu a chave da casinha, do qual antes você nunca parecia pensar. Eu não conseguia esconder a aflição que este pedido fez em mim. Minha agitação excitou sua curiosidade. Apesar da sua alegria e assumida irreflexão, eu penetrei seus pensamentos, e você pode julgar minha tristeza quando a rainha das fadas mandou fazer a possível tentação e resistência de deixar a chave pelo menos uma vez ao seu alcance. E estava, portanto, obrigado a deixá-la, essa chave fatal, e assim facilitar pela minha ausência, a minha e a sua própria destruição."
"Imagine, Rosalie, o que eu sofri na hora da minha ausência, deixando-a sozinha com esta tentação diante de seus olhos, e quando eu vi o seu constrangimento e vermelhidão no meu retorno, Sabia muito bem que você havia permitido que sua curiosidade lhe dominasse."
"Eu estava ordenado a esconder tudo de você, para não te contar nada até seu aniversário e dos perigos que te cercam até o seu aniversário de quinze anos. Se eu tivesse desobedecido, você teria caído de uma vez por todas no poder da Fada Detestável."
"E, no entanto, Rosalie, nem tudo está perdido. Você ainda pode reparar sua culpa, resistindo por 15 dias a esta sua terrível paixão. Aos quinze anos de idade,  você deveria ter se unido a um charmoso príncipe, que está relacionado a nós, O Príncipe Gracioso. E esta união ainda é possível."
"Ah, Rosalie! minha querida criança, tenha pena de si mesma, se você não tem misericórdia de mim e resista à sua curiosidade."

Rosalie estava de joelhos diante se seu pai, com o rosto escondido entre as mãos e chorando amargamente. Ao ouvir estas palavras, tomou coragem, abraçou-o com ternura e lhe disse:
"Oh, pai! Eu prometo que vou solenimente reparar minha culpa. Não me deixe, querido pai! Eu vou me inspirar com uma coragem de tal forma que não irei falhar. E não me atrevo a me privar de seu sábio conselho paterno."
"Ai de mim! Rosalie! Não está mais ao meu alcance ficar com você porque agora estou sob o domínio do meu inimigo. Certamente ela não me permitirá ficar ao seu lado e adverti-lo contra as armadilhas e tentações que ela vai espalhar aos seus pés. Estou surpreso por não ter visto o meu inimigo antes do tempo. A vista da minha aflição e desespero teria sido duro para seu coração, um charme irresistível."
"Eu estive perto de você o tempo todo, aos pés de sua filha", disse o ratinho cinza, com uma voz aguda, saindo e mostrando-se ao gênio infeliz. "Eu tenho me sentido altamente entretida por tudo que já te fiz sofrer, e que prazer eu senti ao ouvir você contar tudo para a sua filha, me induzindo a se esconder até este momento. Agora diga adeus a sua querida e curiosa Rosalie, ela deve me acompanhar, e eu o proíbo de segui-la."
Dizendo estas palavras, ela agarrou a bainha do vestido de Rosalie com seus dentinhos afiados e tentou puxá-la para longe. Rosalie soltou um grito agudo e se agarrou convulsivamente a seu pai, mas uma força irresistível a levou. O gênio infeliz, pegou uma pedaço de pau e levantou para atacar o rato, mas antes que ele tivesse tempo para infligir o golpe, o rato colocou uma de suas patinhas no pé do gênio e ele permaneceu imóvel como uma estátua. Rosalie abraçou os joelhos de seu pai e implorou ao rato para que tivesse piedade dela, mas o pequeno desgraçado deu uma de suas risadas diabólicas e disse:-
"Vamos, vamos, minha linda! Pena que não é aqui que você vai encontrar outras tentações para reproduzir duas vezes a sua culpa irresistível! Vamos viajar por todo o mundo juntos e eu vou lhe mostrar muitos países em quinze dias."
O rato puxou Rosalie sem cessar. Seus braços ainda estavam unidos em torno de seu pai, que se esforçava para resistir à força de seu inimigo. O rato soltou um grito dissonante e de repente a casa estava em chamas. Rosalie pensou o suficiente para refletir que, se ela fosse queimada, ela também não teria como conseguir salvar seu pai, e que devia, assim, permanecer sob o poder da Detestável. Considerando que, se ela preservasse sua própria vida, restaria sempre alguma chance de resgatá-lo
"Adeus, adeus, querido pai!" ela chorou; "vamos nos encontrar novamente em 15 dias. Depois de ter-lhe dado ao seu inimigo, sua Rosalie ainda vai te salvar."
Ela, então, se foi embora, para não ser devorada pelas chamas. Ela correu rapidamente por algum tempo, sem saber onde estava indo. Caminhou várias horas, mas finalmente, exausta pelo cansaço e meio morta de fome, Resolveu se aproximar de uma espécie de mulher que estava sentada em sua porta.
"Madame," disse ela, "pode me dar um lugar para dormir? estou morrendo de fome e cansaço. Você não poderia ser tão amável a ponto de me permitir passar a noite com você?"
"Como é que uma menina tão bonita como você é encontrada mediante a estas estradas e que animal feio, com a expressão de um demônio que acompanha você."
Rosalie virou-se e viu o ratinho sorrindo para ela ironicamente. Ela tentou afastá-lo, mas o rato obstinadamente se recusou a mover-se. A boa mulher, vendo esta competição, balançou a cabeça e disse:—
"Vá pelo seu caminho, minha linda. O maligno e seus seguidores não podem se alojar comigo."
Chorando amargamente, Rosalie continuou sua jornada, e onde quer que ela se apresentou eles se recusaram a recebê-la por causa do rato, que nunca desistira a seu lado. Ela entrou em uma floresta, onde felizmente ela encontrou um riacho em que ela pôde saciar sua sede. Descobriu também frutas e nozes em abundância. Ela bebeu, comeu e sentou-se perto de uma árvore, pensando com agonia no seu pai e se perguntando o que aconteceria com ele durante quinze dias.
Enquanto Rosalie estava refletindo, manteve os olhos fechados para não ver o perverso ratinho cinza. Seu cansaço, o silêncio e a escuridão em torno dela, trouxeram-lhe o sono e ela dormiu profundamente por muito tempo.